terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dor, vergonha

Em meu atrás,
Energia pimenta,
Incêndio se faz
– meu ser, fenda.

Promessas feitas,
Promessas pagas,
Assim, nem
Magoado serei.

Arreda em passos,
Sem pressa,
Dispara sopapo
Em nádega de cá.

Par de segundos imortais
– sinto gay prensa:
Dedos machos,
Osso de fazendeiro.

Dignidade se foi,
Tempo eterno esvai.
Minutos depois,
Chamo meu pai.

Negro viado,
– sem ofensa –
Fui estuprado,
Caralho.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Penumbra

Latas e lacres
Bailam em vento.
Metal alumínio,
Todo talento.

Olor marcante.
Uréia de felino
Ou canino,
Humanóide errante.

Sobe e cai,
Entra não sai.
Sorvo sujo
Ar impuro.

Barata, barato.
Rata, rato.
Lixo, lixa.
Bicho, bicha.

Apito irônico
Da justiça.
Corre polícia,
Dever perene.

Silvos da dor
Alheia mas longe.
Ambulância voeja,
Vai longe sirene.

Latidos, latadas,
Invariáveis.
Folhas frágeis
E aladas.

Auto ligado,
Auto freado.
Porta aberta,
Porta porrada.
  
Ouço “Cafajeste”,
Ouço “Vagabunda”.
Rio depois,
Briga de dois.

Sadismo engrossa,
Lamento o sorriso.
Lugar de bosta,
Distante o paraíso.

Oro prece,
“Finda tortura”.
Não acontece.

Demando à lua,
Coisa alguma.
Lombo em chão,
Domínio da solidão.

Poste ligado,
Poste falhado.
Denso apagão.

 Efeito Doppler,
Sirene que vem,
Carrega morte,
Vagões em trem.

Lua cheia,
Lua nova?
Estou sem meia?
Estou na cova.

Beco inverno.
Pulsada do peito.
Seco inferno.
Ermitão pernoite.

Crânio e concreto,
Cadáver ereto.
Incompleto
Sem teto.

“Com elegância,
Morte, vem cá,
Pratica redundância”

Arredor endoida,
Escarra, esmurra.
Sabor da loucura,
Penumbra na rua.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mundo Arte

Guerras retratos,
Fantasias,
Não relatos.
Covas vãs.

Arte,
Não morte.

Instante sempre.
Sempre eterno.
Infindável crepúsculo,
Perene inverno.

Deuses e demônios,
Traços de obra.
Não duelo nem poder,
Ou lábia de cobra.

Estrelas longínquas,
Jamais entendidas.
Pingos de tinta,
Perspectivas.

Um por todos,
Todos por um.
Nada absoluto,
Nada de luto.

Tudo se conserva.

Simples, complexo;
Brincadeira, profissão;
Funeral, sexo;
Sinônimos.

Sem distinção.

Sem laços,
Sem pedaços,
Sem abraços,
Nem afeto.

Admiração.

Sem vácuos,
Sem momentos,
Sem tempo,
Nem concreto.

Abstração.

Todo tudo,
Todo nada,
Este mundo,
Conto de fada.